O Asilo São Cornélio
Casarão onde funcionou o Asilo São Cornélio (hoje Faculdade Souza Marques) no bairro do Catete, Rio de Janeiro. Mansão famosa da Rua do Catete, próximo a esquina com a Rua Santo Amaro, lá existia uma casa onde morou o Duque de Caxias (Luis Alves de Lima e Silva, na época ele ainda era o Conde de Caxias, ela foi demolida e construíram no local o Palacete do Ribeirinho de propriedade de João José Ribeiro da Silva, mais tarde foi comprado pelo Sr. João Martins Cornélio. Seu filho o Sr. João Cornélio dos Santos doou o palacete a Santa Casa da Misericórdia em 1894 para ser criado ali um "asilo" (o que hoje seria um "abrigo"), para menores. Atualmente lá funciona a Faculdade de Medicina Souza Marques.
Na administração de Paulino José Soares de Souza (1890-1901) que assumiu a Provedoria da Santa Casa de Misericórdia já sob o regime republicano, foi fundado o Asilo de São Cornélio, um estabelecimento de amparo à infância e à juventude, instalado na antiga residência do empresário fluminense Comendador Joaquim Cornélio dos Santos, na rua do Catete no. 6. Logo na estrada à esquerda, está a estátua Atalanta, deLepautre. No mesmo prédio estão duas escadas de ferro que foramconstruídas de forma simétrica. Os corrimões são sustentados por carrancase as pilastras de apoio são formadas por quatro estátuas de meninos. Do outro lado do prédio está a estátua de Hipômenes que traz na mão uma maçã de ouro e foi esculpida por Coustou. Preservado o casarão hoje abriga as instalações do Curso de Medicina da Faculdade Souza Marques.
O casarão é tombado pela 6a.SR do IPHAN. Esse casarão, na rua do Catete nº 6, foi construído em 1862 para João José Ribeiro e adquirido pelo Comendador João Martins Cornélio dos Santos seis anos mais tarde. Foi residência da família por muito tempo, legado por testamento à Santa Casa de Misericórdia. E uma construção térrea com porão, tendo para rua embasamento de mármore, várias janelas de peitoril com ombreiras de cantaria e vergas de arco pleno. O frontão é encimado por platibanda revestida de estuque. Internamente ainda se conservam estuques e pinturas murais.
TOMBAMENTO: Asilo São Cornélio: prédio (Rio de Janeiro, RJ)
Descrição:Edificação com data de 1862 na fachada, foi adquirida em 1868 pelo Comendador João Martins Cornélio dos Santos, para sua residência. Este deixou em testamento a propriedade para a Santa Casa de Misericórdia, que aí instalou um asilo, com a invocação de São Cornélio, inaugurado em 1900. Extensa casa térrea com porão, apresenta para o logradouro embasamento revestido de mármore, seqüência de janelas de peitoril com ombreiras de cantaria e vergas de arco pleno. A frontaria é encimada por platibanda revestida de azulejos, tendo, ao centro, tímpano com baixo-relevo de estuque. Sobre a platibanda, estatuetas de mármore marcam as prumadas das pilastras e cunhais. Nas duas extremidades da fachada, pequenos jardins com gradil de ferro fundido. Internamente, a edificação preserva, em muitos salões, tetos de estuque com baixo-relevo e pintura. Após sua aquisição pela Faculdade de Medicina Souza Marques, foi construída uma série de edificações na área localizada aos fundos da casa histórica, de feição puramente comercial.
Uso Atual:Faculdade de Medicina Souza Marques
Endereço: Rua do Catete, 6 - Rio de Janeiro - RJ
Livro de Belas Artes
Inscrição:175 Data:15-7-1938
Nº Processo:0010-T-38
11 comentários:
Por: Angela- 1/10
1- São Cornélio, O orfanato dos horrores. A não ser por Dona Carmelína, a gentil porteira, que eu adorava como uma verdadeira avó - é uma lembrança que realmente, preferia não ter. Frequentei aquele inferno por quase nove anos, semi-interna dos 2 aos 7, e interna dos 7 aos 11.
2- Após minha avó materna não poder mais cuidar de mim,enquanto minha mãe que era separada, trabalhava tempo integral, acabou me deixando nesse inferno, encontrado por meu pai, que pagava por baixo da mesa um dinheiro, a irmã superiora. Apesar de o colégio ter inúmeras freiras, apenas duas tinham a incumbência de tomar conta de todas nós. Irmãs Josefa e Ana Maria. As outras apesar de boazinhas faziam vista grossa para o que ocorria lá dentro.
3- Das duas, Jozefa, definitivamente era a pior, ela tinha uns 30 anos. Alta, branca com pés, mãos e braços, estranhamente grandes demais. A Ana Maria lembrava uma bruxa, ela tinha mais de 60, a pele dela era vermelha, oleosa ela tmb tinha um dente de prata que brilhava, sempre que o canto da boca entortava. A duas pareciam gostar de maltratar.
4- Era comum a Josefa ordenar a ficar em pé o resto da noite no dormitório, a menina que sem querer estalasse alguma parte do piso, no caminho do banheiro, que ficava ao lado do seu quarto de quatro paredes, sem teto, no mesmo assoalho.
continua..
Angela 5/10
5- As vezes lembro com muita pena, na Zizí, uma menina de uns 9 anos, recém chegada. Sua cama ficava perto da minha. Zizi era uma menina muito quieta triste, parecia muito frágil e freqüentemente sofria de horríveis pesadelos. Ela corria gritando pelo dormitório, e a irmã Josefa espancava a pobrezinha pra acordar, infelizmente Zizi tmb fazia xixi na cama e muitas vezes era obrigada andar com a calcinha mijada o dia todo na cabeça. Qualquer uma de nos alias, só que Zizi era constante, portanto difícil de esquecer. Tmb éramos proibidas de conversar com ela, durante o dia do castigo, caso pegas tmb teríamos uma calcinha na cabeça...
6- Por eu não ser órfã, e minha mãe ter uma boa educação e emprego regular, eu era considerada a menina rica do colégio, isso por si só, parecia me fazer candidata quase que preferida de Josefa para espancamento e castigo, muitas vezes sem saber por que. A especialidade dela comigo era me rodar e me sacudir violentamente pelos cabelos, eu ficava com enormes galos no couro cabeludo. Uma vez, eu não estava muito bem, eu sofria muito com enxaquecas, e quando ela começou me rodar a enxaqueca veio com tudo, não aguentei, e vomitei. Pela primeira vez vi medo na cara dela. Ela me ordenou limpar o próprio vomito. Graças a deus dona Carmelina me ajudou, pois eu fiquei tão ruim que mal conseguia abrir os olhos de dor. Isso por que eu perguntei depois do jantar, se eu podia pegar meu ovomaltine, na dispensa.
continua..
Angela 7/10
7- A outra irmã carrasco, a Ana Maria, que também costumava agredir as meninas com beliscões, e puxões de cabelo em lugar especifico da cabeça, graças a deus já era bem velha, uns 68 anos, porém sádica e como não conseguiria alcançar nem uma de nós se corresse, usava truculência para exercer seu sadismo. Ela chamava as meninas, “vem cá”, com uma cara sorridente “não vou fazer nada não, prometo”, entre 150 crianças, sempre tinha uma que ia, muitas por medo mesmo, e essa irmã do demônio, escolhia puxar os cabelos da fonte ou da nuca, ela enrolava no dedo indicador, e puxava com tanta força que acabava por contorcer a contorce própria cara até ficar disforme, parecia que ia arrancar tudo pela raiz. A criança urrava de dor.
8- Eu fui pega uma vez, mas consegui logo me desvencilhar dela, e nunca mais ela me pegou. Certa vez ela ficou tão frustrada que resolveu correr atrás de mim, chegou a pedir ajuda as meninas, claro ninguém se mexeu, só se escutava os risos abafados. Dias depois ela mandou Sílvio, o zelador, me levar até ao Lobo, um cachorro que só era solto a noite pra tomar conta da propriedade. Lobo era mistura de pastor alemão e extremamente bravo, ele ficava peso a uma longa corrente e sempre avançava toda vez que corríamos um pouco perto demais. Ninguém além do Sílvio e mais 2 outras pessoas que o conheciam desde pequeno, ousava chegar perto. Eu sempre amei os cachorros e o admirava de longe. Sílvio a mando da bruxa me botava cada vez mais perto da boca do Lobo. Aterrorizada eu esperneava. O Lobo rosnava e latia furiosamente a centímetros do mim. Quanto mais eu gritava mais louco ele parecia. Fiquei com ódio da irmã Ana Maria.
9- Silvio era meu amigo, mas ele tinha que obedecer ou poderia perderia seu emprego. Claro que ele não ia deixar o cachorro me morder, mas eu fiquei apavorada mesmo assim. Daquele dia em diante resolvi que eu tinha que ficar amiga do Lobo, pedi ao Silvio pra me ajudar, ele nem hesitou, disse para eu trazer um pedaço de carne todo dia. Foi mais difícil esconder a carne sem ninguém ver do que fazer amizade com o cachorro. Em pouquíssimo tempo Lobo e eu nos tornamos melhores amigos. Eu dava show para as meninas. Passei muito dos meus recreios, dentro da casa do Lobo deitada com ele. O único lugar que freira nem uma ousava chegar.
10- Quando sai finamente de lá aos 11 anos, mal sabia ler!
Isso é só uma janelinha das barbaridades que ocorriam no educandário São Cornélio.
Angela
FIM
Quer mais?
Angela SPT
Esqueci! Tem muita ossada que escavamos enquanto brinvamos com a terra... entre o abacateiro e a copa da mangueira carlota. :0
Eu me chamo Nelma Suely, fui interna no Educandário São Cornélio em 1966 ate 1968!Foi muito bom aprendi bordar, gostava muito da comida. Tinha duas irmãos que eram um pouco estressada a irmã Josefa e irmã Vicência. Gostava muito da professora de bordado, da irmã maria, me lembro do do Silvio e do lobo. Eu fico triste por ter acabado os colégios internos onde as mães que trabalhavam tinham onde deixar seus filhos protegidos. Agora as crianças e adolescente vivem no meio das ruas se prostituindo e se drogando! Esses colégios internos e semi-internos poderiam voltar a funcionar, p tirar tirar as crianças e adolescente das ruas!Esses palacetes que foram doados, pertence as crianças pobres! Então o Ministério Publico tem que entrar com uma ação para que esses casarões que pertence as crianças pobres, volte a beneficia-los para afasta-los do caminho das drogas, que esta acabando com os jovens!!
eu sou maria da luz ferreira cabral era como me me chamavam na época da minha estadia no sc.epoca so tenho lembranças boas edivertidas dessa época.estudava bordava tinha aula de canto ofeonico artezanato epiano era solista no coral da igreja saudades de amigas queridas perdidas no tempo cleonice jane sandra rita e ate a ratinho com quem tive a primeira e unica briga dainha vida.fui muito feliz ali quando me tira ram de la chorei muito so prdia pra voltar orfa de pai e mae foi dificil me acostumar com o mumdo aquo fora.essas barbaridades ditas acima nao foi da minha época.lembro do silvio do cachorro do pe manga espada da educacao impecavel que tinhamos .dorefeitorio eodormitorio vazios nas ferias.por isso concordo com aNelma deveria voltar os internatos.Eu fui muito feliz no E S CORNELIO
Minha mãe foi criada neste educandário. Só tem boas lembranças. De uma EDUCAÇÃO IMPECÁVEL. Tem nove filhos,7 mulheres ( Todas educadoras) e 2 homens.Essa experiência do TEMPO em que ela esteve nessa instituição, serviu como base para nossa formação,só temos a agradecer.
Meu nome é Glória Alves Sarro, estudei na minha infância entrei no jardim de infância e fiz até admissão, não me lembro direito, mais devo ter estudado uns 8 a 9 anos. Mto engraçado que de professora só me lembro a do jardim de infância, era professora Marcy. Graças a Deus sempre fui externa, pois minha mãe não trabalhava, mais as meninas contavam que era mto ruim ser interna.
Ângela também fui interna sofri muito nas mãos da Josefa gostaria de encontrar com as internas da época meu telefone (21)982625502
Ola Meninas... Me chamo Jéssica e minha mãe foi aluna do São Cornélio .. acredito que ela tenha estudado entre 1962 até 1968 .. li alguns relatos e me deixou extremamente triste .. pois ela relatava muitas coisas que passou lá dentro .. ela tinha uma amiga que chamava Marlene... Gostaria muito de encontrar amigas da minha mãe que estudou no São Cornélio (em 2013 eu fui pessoalmente conhecer o palacete aonde funcionava o Colégio, mas infelizmente estava fechado.
Se alguém ler meu relato e lembrar da Maria do Carmo Amolinario .. me add nas redes sociais .. Jéssica Amolinario
Eu me chamo Noemi..Também estudei no Educadario S. Cornélio.. fui muito feliz..Sinto saudade..👏👏
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